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Cronologia

A história de Castelo de Vide

Nove eras, de cerca de 5000 a.C. ao presente. Todas com vestígios visitáveis ou ruas ainda habitadas.

Esta cronologia é deliberadamente plana: nenhuma era é apresentada como o ponto alto da história da vila. A pré-história megalítica, a cidade romana de Ammaia, o castelo medieval, a Judiaria, as fortificações da Restauração, o património religioso, o ciclo termal do século XX e a vila de hoje são pares.

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  1. 01

    a partir de ~5000 a.C.

    Pré-história e Megalitismo

    O Menir da Meada, junto a Castelo de Vide, rodeado de montado de sobro
    Foto: DobroideCC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

    O Menir da Meada é o maior menir inteiramente talhado por mão humana da Península Ibérica — e, pela datação por radiocarbono, a pedra erguida mais antiga do mundo com data precisa.

    Junto a Castelo de Vide ergue-se o Menir da Meada, o maior menir inteiramente talhado por mão humana da Península Ibérica. A datação por radiocarbono coloca a sua construção entre 4810 e 5010 a.C., o que o torna a pedra erguida mais antiga do mundo com data precisa — quase dois mil anos antes dos grandes dólmens.

    O menir não está sozinho. Faz parte de um conjunto megalítico distribuído ao longo do rio Sever, um território marcado por antas, dólmens e menires que revelam uma ocupação humana longa e organizada.

    Entre os outros sítios contam-se a Anta dos Coureleiros e o Dólmen da Melriça, hoje integrados em percursos de visita ao ar livre.

    Visitável hoje

    • Os monumentos megalíticos ao ar livre, visitáveis em campo aberto.
    • O Centro de Interpretação do Megalitismo, instalado numa antiga casa de especiarias dentro do castelo.
    Página da era
  2. 02

    séc. I a.C. – séc. VI d.C.

    Romanização — Ammaia

    Reconstrução da Porta Sul da cidade romana de Ammaia
    Foto: MentxuwikiCC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

    A cidade romana de Ammaia, fundada em torno da mudança de milénio, fica às portas de Castelo de Vide, dentro do Parque Natural da Serra de São Mamede.

    A cidade romana de Ammaia foi fundada por volta da mudança de milénio, a curta distância de Castelo de Vide, hoje dentro do Parque Natural da Serra de São Mamede.

    As escavações revelaram a Porta Sul, o fórum, as termas do fórum e, com grande probabilidade, um teatro e um anfiteatro. Uma cidade completa, com equipamento urbano próprio.

    Ammaia manteve-se ocupada até meados do século VI, sendo depois abandonada à medida que povoados de altura mais defensáveis — como o vizinho Marvão — assumiam o protagonismo do território.

    Vias romanas ligavam Ammaia a Cáceres, a Évora e a Aritio Vetus, inserindo este território numa rede de longa distância.

    Visitável hoje

    • O sítio arqueológico escavado, no Parque Natural da Serra de São Mamede.
    • O centro de interpretação de Ammaia, com o espólio das escavações.
    Página da era
  3. 03

    séc. VI – XII

    Da Antiguidade Tardia à Reconquista

    Pormenor da alvenaria de pedra do castelo de Castelo de Vide
    Foto: F nandoCC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

    Entre a retirada romana e a Reconquista cristã abre-se um vazio documental — mas a arqueologia recente mostra ocupação alto-medieval do território.

    Entre a retirada romana e a Reconquista cristã abre-se um vazio documental: não sobrevive registo escrito contínuo destes séculos. A arqueologia recente, porém, mostra ocupação alto-medieval do território.

    O próprio nome «Vide» é de origem incerta — poderá vir das vides que cresciam no local, ou da sua posição de fronteira, um território que «divide».

    O território foi retomado ao domínio muçulmano em 1148.

    Visitável hoje

    • O sítio urbano sobre o qual o castelo posterior foi construído — ainda hoje objecto activo de investigação arqueológica.
    Página da era
  4. 04

    séc. XIII – XIV

    Fundação Medieval — o Castelo

    A torre de menagem do castelo de Castelo de Vide
    Foto: Duca696CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

    Castelo de Vide ganhou independência municipal de Marvão em 1276. Sob D. Dinis, o castelo foi erguido — ou reforçado — e a torre de menagem levantada.

    Castelo de Vide ganhou independência municipal de Marvão em 1276.

    O castelo foi construído sob D. Dinis — as fontes divergem quanto a ter sido fundado ou apenas reforçado no seu reinado —, que ergueu também a torre de menagem e parte da muralha ainda hoje visível.

    O primeiro foral foi outorgado em 1310, fixando o estatuto da vila.

    Visitável hoje

    • O castelo, aberto a visitas guiadas.
    • O circuito da muralha medieval em torno do núcleo histórico.
    Página da era
  5. 05

    séc. XIV – XV

    A Judiaria e a Comunidade Judaica

    Rua da Judiaria de Castelo de Vide, com portais ogivais
    Foto: Concierge.2CCC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

    Considerado o conjunto de judiaria melhor preservado de Portugal: portais ogivais, ruas de calçada e a antiga Sinagoga do século XIV.

    A presença judaica está documentada a partir do século XIV: D. Pedro I concedeu terras a Mestre Lourenço, seu físico, tido como judeu.

    Após o édito de expulsão de 1492 em Espanha, cerca de 4.000 refugiados judeus fixaram-se aqui, e a Judiaria atingiu o seu apogeu no século XV.

    É considerado o conjunto de judiaria melhor preservado de Portugal: portais ogivais, ruas de calçada e o edifício da antiga Sinagoga (séc. XIV), uma das apenas duas sinagogas medievais sobreviventes em Portugal — a outra em Tomar.

    Usada secretamente por cristãos-novos após 1496, a Sinagoga foi restaurada no século XX, revelando a tebah (plataforma da arca) e marcas de mezuzá; o tabernáculo foi redescoberto em 1972. É hoje museu.

    A Fonte da Vila (séc. XVI, reinado de D. João III, Monumento Nacional de Interesse Público desde 1953) situa-se no coração da Judiaria e era um raro ponto de encontro diário entre judeus e cristãos.

    Visitável hoje

    • A Sinagoga-museu, com a tebah e as marcas de mezuzá.
    • As ruas ainda habitadas da Judiaria.
    • A Fonte da Vila, no coração do bairro.
    Página da era
  6. 06

    1640 – 1668

    Fronteira e Fortificação

    Muralhas de Castelo de Vide
    Foto: Vitor OliveiraCC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

    A Guerra da Restauração desencadeou uma longa campanha de obras de fortificação, com engenheiros militares a introduzir inovações francesas e inglesas de traça abaluartada.

    A Guerra da Restauração contra Espanha desencadeou, a partir de 1641, uma longa campanha de obras de fortificação na vila.

    Engenheiros militares introduziram inovações francesas e inglesas de fortificação abaluartada, dando à fronteira uma nova profundidade militar.

    O foral manuelino de 1512 já tinha reorganizado a administração da vila; agora era a sua defesa que se reformulava.

    Visitável hoje

    • Trechos da muralha abaluartada.
    • Parte do circuito de muralhas de cerca de 2,5 km em torno do núcleo histórico.
    Página da era
  7. 07

    séc. XIV – XIX

    Património Religioso

    A Ermida de Nossa Senhora da Penha, no topo da serra
    Foto: Vitor OliveiraCC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

    Da Capela de São Roque encaixada num cruzamento de ruas à igreja matriz de Santa Maria da Devesa, com uma dedicação única em Portugal.

    A Capela de São Roque (séc. XV, reconstruída no séc. XVIII) encaixa-se num cruzamento de ruas do núcleo histórico.

    A Igreja de Nossa Senhora da Alegria (1638), com azulejaria de época, fica junto ao castelo; o convento anexo foi começado no início do século XVIII e nunca terminado.

    A Ermida de Nossa Senhora da Penha (séc. XVI) coroa a Serra de São Paulo, num miradouro sobre a vila.

    A igreja matriz, Igreja de Santa Maria da Devesa, foi começada em 1789 sobre uma capela fundada em 1311 por Lourenço Pires e concluída por volta de 1873 — a sua dedicação é única em Portugal.

    No concelho subsistem ainda duas ermidas em ruínas: Senhora das Virtudes e São Silvestre.

    Visitável hoje

    • Todos estes templos permanecem em uso religioso ou comunitário activo.
    • A Ermida da Penha, também miradouro sobre a vila e a serra.
    Página da era
  8. 08

    1706 – anos 1990

    Águas, Termas e o Século XX

    As antigas termas de Castelo de Vide
    Foto: Jose.CardosooCC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

    As propriedades terapêuticas das águas só foram reconhecidas cientificamente em 1918. Em 1940 começou a construir-se um balneário termal a 20 metros da Fonte da Vila.

    A primeira referência escrita às águas da Fonte da Vila data de 1706.

    As suas propriedades terapêuticas só foram reconhecidas cientificamente em 1918, quando o químico Charles Lepierre as classificou como águas mesossalinas, cloretadas sódicas e sulfo-carbonatadas.

    Em 1940 começou a construção de um balneário termal a apenas 20 metros da Fonte da Vila, desviando o seu caudal. O edifício, típico da arquitectura do Estado Novo, foi concluído em 1942 e funcionou até ao início dos anos 1990.

    Junto à Fonte da Mealhada engarrafa-se a água mineral Vitalis, ainda hoje vendida em todo o país.

    O termalismo trouxe um novo ciclo económico e social à vila a partir de meados do século XX.

    Visitável hoje

    • O edifício do antigo balneário termal.
    • As fontes ainda a correr, entre elas a Fonte da Vila e a Fonte da Mealhada.
    Página da era
  9. Uma vila viva dentro do Parque Natural da Serra de São Mamede, conhecida como «a Sintra do Alentejo».

    Castelo de Vide é hoje uma vila viva dentro do Parque Natural da Serra de São Mamede, conhecida como «a Sintra do Alentejo».

    A Judiaria continua habitada; o castelo, a sinagoga e o antigo balneário são hoje espaços visitáveis ou museológicos.

    Uma rede de percursos pedestres — GR41, PR1, PR3, PR5 — liga o património construído às colinas em volta.

    É também uma porta de entrada natural para a região transfronteiriça mais ampla, com Marvão e Ammaia à mão.

    Visitável hoje

    • O núcleo histórico habitado, a pé.
    • Castelo, sinagoga-museu e antigo balneário.
    • Os percursos pedestres GR41, PR1, PR3 e PR5.
    Página da era